Balanço divulgado pelo INMET aponta que o período de dezembro a fevereiro teve temperaturas até 3°C acima da média histórica, com recordes de calor em diversas regiões do país
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou nesta semana o balanço climático do verão 2024/2025, confirmando que o período foi um dos mais quentes já registrados na história do Brasil. Segundo o relatório oficial, as temperaturas ficaram entre 1°C e 3°C acima da média histórica em praticamente todo o território nacional.
O Centro-Oeste e o Sudeste foram as regiões mais afetadas pelo calor extremo, com diversas cidades registrando recordes históricos de temperatura. Em algumas localidades do interior de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, os termômetros ultrapassaram os 40°C em diversos dias ao longo da estação.
“O que observamos foi um padrão consistente de anomalias positivas de temperatura, com ondas de calor mais frequentes e intensas que o normal”, explicou o meteorologista-chefe do INMET, que atribuiu o fenômeno à combinação do aquecimento global com o El Niño, que influenciou o clima durante parte do período.
No Piauí, a situação não foi diferente. Teresina, conhecida por suas altas temperaturas, registrou médias 2°C acima do normal para a época, com sensação térmica ultrapassando os 40°C em vários momentos. Cidades como Floriano e Picos também sofreram com o calor extremo, segundo dados da estação meteorológica estadual.
O relatório também destacou a irregularidade das chuvas durante o verão. Enquanto algumas regiões sofreram com secas severas, outras enfrentaram temporais e inundações devastadoras, como ocorreu no Rio Grande do Sul. Essa distribuição irregular das precipitações é outro indicador das mudanças climáticas em curso, segundo os especialistas.
O INMET alerta que a tendência de aquecimento deve continuar nos próximos anos, com verões progressivamente mais quentes. “O que estamos vivenciando não é um evento isolado, mas parte de uma mudança climática estrutural que exige adaptação e medidas mitigadoras”, afirmou o documento.
As autoridades recomendam que a população se prepare para temperaturas elevadas também no próximo verão, adotando medidas preventivas como hidratação constante, proteção contra o sol e cuidados especiais com crianças e idosos, grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo.