Previsões climáticas indicam distribuição desigual de precipitações na primavera do próximo ano, com possibilidade de seca em regiões produtoras e chuvas acima da média no Norte e Nordeste
Os primeiros modelos climáticos para a primavera de 2025 apontam um cenário preocupante para as regiões Sul e Centro-Sul do Brasil, com distribuição irregular de chuvas e risco de períodos de estiagem. A análise, divulgada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), indica que o fenômeno La Niña deve influenciar o regime pluviométrico no país.
De acordo com os dados, as regiões Sul, parte do Sudeste e Centro-Oeste poderão enfrentar precipitações até 30% abaixo da média histórica entre setembro e novembro de 2025. Em contrapartida, o Norte e Nordeste devem registrar volumes de chuva acima do normal para o período.
“Estamos observando um padrão que sugere irregularidade na distribuição das chuvas, o que pode afetar diretamente o calendário agrícola e o abastecimento de água em diversas regiões”, explica o meteorologista Carlos Nobre, pesquisador do INPE.
O cenário preocupa especialmente o setor agrícola. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as culturas de verão, como soja e milho, podem sofrer impactos significativos caso as previsões se confirmem, principalmente na fase de plantio e desenvolvimento inicial.
No Piauí, a tendência é oposta. A previsão indica chuvas acima da média no estado, especialmente nas regiões sul e sudoeste, o que pode beneficiar a agricultura local. Contudo, especialistas alertam para a necessidade de planejamento adequado para evitar problemas com excesso de umidade em determinadas culturas.
A Agência Nacional de Águas (ANA) já iniciou um plano de contingência para monitorar os níveis dos reservatórios nas áreas potencialmente afetadas pela estiagem. “Precisamos nos antecipar para evitar crises hídricas como as que enfrentamos em anos anteriores”, afirmou o diretor da agência.
Os meteorologistas ressaltam que, apesar da confiabilidade dos modelos climáticos ter aumentado nos últimos anos, ainda há margem para alterações nos padrões previstos. Novas atualizações serão divulgadas nos próximos meses, permitindo ajustes nas estratégias de mitigação dos possíveis impactos.