Fenômeno meteorológico deve intensificar chuvas no Norte e Nordeste, enquanto o Sul e Sudeste enfrentarão períodos de estiagem mais severos nos próximos meses
O Centro de Previsão Climática da NOAA (Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou oficialmente a formação do fenômeno La Niña no Oceano Pacífico, que deve persistir até o verão 2025/2026, alterando significativamente o regime de chuvas em todo o Brasil.
De acordo com o comunicado emitido pela agência americana na última quinta-feira (10), há 85% de probabilidade de que o fenômeno se mantenha durante o trimestre novembro-janeiro, com intensidade moderada a forte. Isso representa uma mudança importante no padrão climático que vinha sendo observado com o El Niño nos últimos meses.
O La Niña caracteriza-se pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação atmosférica global. No Brasil, seus efeitos são bastante regionalizados: enquanto intensifica as chuvas nas regiões Norte e Nordeste, causa diminuição de precipitações no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste.
“Estamos observando um padrão clássico de La Niña, com resfriamento das águas do Pacífico Central e Oriental. Isso altera a posição dos sistemas meteorológicos que influenciam o regime de chuvas no Brasil”, explica o meteorologista do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), Giovanni Dolif.
Para o Nordeste brasileiro, especialmente o Piauí, a notícia é positivamente significativa. A previsão indica chuvas acima da média histórica durante o período úmido, que vai de dezembro a maio, o que pode amenizar problemas de escassez hídrica em regiões tradicionalmente castigadas pela seca.
“Municípios do semiárido piauiense devem experimentar um período chuvoso mais regular e intenso, o que favorece a agricultura e a recarga dos reservatórios”, destaca o relatório da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí.
Em contrapartida, os estados do Sul, que ainda se recuperam das enchentes históricas de maio, devem enfrentar um período de estiagem mais severo, com risco de seca agrícola e possíveis problemas no abastecimento hídrico em algumas regiões.
O La Niña também tende a influenciar as temperaturas, com possível redução dos extremos de calor no Norte e Nordeste, mas sem impedir a ocorrência de ondas de calor no Centro-Sul do país, especialmente durante a primavera.
A Defesa Civil Nacional já emitiu alertas para que estados e municípios se preparem para os impactos do fenômeno, que incluem desde enchentes nas regiões Norte e Nordeste até estiagem prolongada no Sul do país, com possíveis reflexos na agricultura e na geração de energia hidrelétrica.